Almond Blossoms by Vincent van Gogh, 1890

Flores de Amendoeira – O presente de Van Gogh para um bebê que fundaria o Museu Van Gogh

Em 31 de janeiro de 1890, em Paris, nasceu o filho de Theo van Gogh e de sua mulher, Jo. Deram-lhe o nome de Vincent, como o tio. Este, internado em Saint-Rémy-de-Provence, escreveu à mãe que teria preferido que o menino recebesse o nome do avô; mas, como estava feito, começou imediatamente a pintar para ele um quadro destinado ao quarto dos pais: grandes galhos de amendoeira em flor contra um céu azul. Aquele bebê se tornaria, setenta anos depois, o fundador do Museu Van Gogh de Amsterdã – onde o quadro está hoje.

Em resumo

Um quadro para um recém-nascido

Desde maio de 1889, Van Gogh estava internado no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França. Em 31 de janeiro de 1890, seu irmão Theo lhe contou que tinha nascido seu filho, e que lhe dera o nome do tio. Vincent ficou emocionado e um pouco constrangido: escreveu à mãe que teria preferido que o menino tivesse o nome do pai deles, em quem vinha pensando muito.

Mas, como estava feito, contou que se pôs logo a trabalhar num quadro para pendurar no quarto dos pais: grandes galhos de amendoeira branca contra um céu azul. À irmã Willemien, falou de uma grande tela azul-celeste sobre a qual se destacam galhos floridos. No sul da Europa, as amendoeiras estão entre as primeiras árvores a florir, ainda no fim do inverno: um símbolo de vida nova, para uma vida que começava.

O Japão no céu da Provença

O quadro não se parece com nenhuma paisagem. Não há chão, horizonte nem tronco: só galhos que atravessam a tela e parecem transbordar da moldura, sobre um céu liso. Temos a impressão de estar deitados sob a árvore, olhando para cima.

Esse enquadramento muito próximo de um galho florido sobre um fundo uniforme vem das gravuras japonesas que Van Gogh admirava e colecionava. Em Paris, ele chegara a copiar a óleo estampas de Hiroshige, como Chuva repentina sobre a ponte Shin-Ōhashi e Atake. Os contornos escuros dos galhos, as áreas de cor chapada e a ausência de profundidade lembram diretamente essa arte.

Símbolos e o que observar

O céu. Não é de um azul puro, mas quase turquesa, aplicado em pinceladas regulares que lhe dão uma vibração suave.

Os galhos. Nodosos, contornados de escuro, pintados em tons de azul-esverdeado. Cruzam-se e esticam-se em todas as direções, como um desenho a tinta.

As flores. Brancas, com toques de rosa e verde, algumas com um fino contorno vermelho e miolos amarelos. Há botões, flores abertas, outras recém-desabrochadas: todas as idades da floração ao mesmo tempo.

A calma. Ao contrário dos ciprestes e dos céus em turbilhão de A noite estrelada, pintada no mesmo lugar alguns meses antes, aqui a pincelada é tranquila e regular. É um dos quadros mais serenos de Van Gogh.

Sobre Vincent van Gogh

Nascido em 30 de março de 1853 em Zundert, na Holanda, Van Gogh se dedicou à pintura por volta dos 27 anos. Em cerca de dez anos, produziu aproximadamente 860 pinturas e mais de 1.300 desenhos e obras sobre papel. Passou os anos mais fecundos na França: em Paris, depois em Arles, onde pintou os Girassóis e O quarto, em Saint-Rémy e, por fim, em Auvers-sur-Oise. Morreu em 29 de julho de 1890, seis meses depois do nascimento do sobrinho.

Ao contrário da lenda, Van Gogh não vendeu “um único quadro” em vida: a venda mais famosa é a de O vinhedo vermelho, mas houve outras. Ainda assim, foi um fracasso comercial – e a sua glória foi quase toda póstuma.

Legado: do berço ao museu

Theo morreu em janeiro de 1891, poucos meses depois de Vincent. A viúva, Jo van Gogh-Bonger, ficou com um apartamento cheio de quadros do cunhado que quase ninguém queria comprar. Dedicou a vida a torná-los conhecidos e publicou as cartas dos dois irmãos.

O pequeno Vincent Willem cresceu com o quadro das amendoeiras. Engenheiro, herdou em 1925, com a morte da mãe, a coleção: cerca de duzentos quadros, quinhentos desenhos e centenas de cartas. Em 1962, criou a Fundação Vincent van Gogh para preservar o conjunto e, em 1973, abriu em Amsterdã o Museu Van Gogh. Morreu em 1978. O quadro pintado para o seu berço tornou-se uma das obras mais emblemáticas do museu – e uma das imagens mais amadas de Van Gogh.

Hoje, os galhos floridos estão em pôsteres, roupas, louças e papéis de parede no mundo inteiro. Poucos sabem que a imagem nasceu como um presente de família.

Onde ver a obra hoje

Flores de Amendoeira está exposto no Museu Van Gogh, na Museumplein, em Amsterdã.

  • Reserve on-line: a entrada é por horário marcado, e os ingressos se esgotam rápido, sobretudo no verão europeu.
  • Chegue cedo ou aproveite os horários estendidos, quando houver; confira no site do museu.
  • No mesmo museu: a primeira versão de O quarto, uma versão dos Girassóis, autorretratos e a coleção de estampas japonesas de Van Gogh.
  • Atenção: Noite estrelada sobre o Ródano não está em Amsterdã, mas no Museu d’Orsay, em Paris.
  • Ao lado: o Rijksmuseum e o Stedelijk Museum, na mesma praça.

Perguntas frequentes

Por que Van Gogh pintou Flores de Amendoeira?

Para celebrar o nascimento do sobrinho, Vincent Willem, filho de Theo e Jo, nascido em Paris em 31 de janeiro de 1890. O quadro devia ser pendurado no quarto dos pais.

Onde ele foi pintado?

Em Saint-Rémy-de-Provence, no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, em fevereiro de 1890.

Qual é a influência japonesa?

O enquadramento muito próximo de um galho florido sobre fundo liso, os contornos escuros e as áreas de cor chapada vêm das estampas japonesas que Van Gogh colecionava.

O que aconteceu com o sobrinho?

Vincent Willem van Gogh, engenheiro, herdou a coleção do tio em 1925, criou a Fundação Vincent van Gogh em 1962 e abriu o Museu Van Gogh de Amsterdã em 1973.

É verdade que Van Gogh vendeu um só quadro em vida?

Não. O vinhedo vermelho é a venda mais famosa, mas há registros de outras. Ele foi, porém, um fracasso comercial durante a vida.

Van Gogh pintou um céu azul e flores brancas para um bebê que ainda não conhecia. O bebê cresceu debaixo desse quadro e passou a vida tornando conhecida a obra do tio. Hoje, no museu que ele fundou, milhões de visitantes erguem os olhos para os mesmos galhos, como se olha para uma árvore no primeiro dia de primavera.

Imagem: Flores de Amendoeira – Vincent van Gogh, fevereiro de 1890, Museu Van Gogh, Amsterdã. Licença: domínio público. Fonte: Wikimedia Commons.

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