Mona Lisa by Leonardo da Vinci, 1503

Mona Lisa – Quem era, porque quase nunca saiu do Louvre e o que ver realmente

Durante quatro séculos, ninguém sabia ao certo quem era a mulher da Mona Lisa. A resposta apareceu em 2005, na margem de um livro antigo: numa edição das cartas de Cícero conservada na Biblioteca da Universidade de Heidelberg, um funcionário florentino que conhecia Leonardo anotou, em outubro de 1503, que o pintor trabalhava num retrato de «Lisa del Giocondo». Hoje, cerca de 20 mil pessoas por dia entram na sala do Louvre onde ela se encontra – e a maioria passa poucos segundos diante de um quadro com apenas 77 centímetros de altura.

Em resumo

  • Artista: Leonardo da Vinci (1452-1519)
  • Data: iniciada por volta de 1503; retocada até cerca de 1517
  • Outros nomes: La Gioconda (italiano), La Joconde (francês)
  • Técnica: óleo sobre painel de madeira de choupo
  • Dimensões: 77 × 53 cm
  • Movimento: Renascimento
  • Onde está: Museu do Louvre, Paris, Salle des États (sala 711)

Quem era ela

A modelo é Lisa Gherardini, mulher do comerciante florentino de seda Francesco del Giocondo – daí os nomes Gioconda e Joconde. O retrato terá sido encomendado para celebrar o nascimento do segundo filho do casal e a mudança para uma nova casa.

Durante séculos, porém, propuseram-se outras candidatas: Isabel de Aragão, a mãe de Leonardo, e até o próprio Leonardo disfarçado. A questão ficou resolvida em 2005, quando Armin Schlechter, especialista em manuscritos da Universidade de Heidelberg, encontrou uma nota de outubro de 1503 escrita por Agostino Vespucci, funcionário da chancelaria de Florença que conhecia Leonardo pessoalmente. Comparando-o ao pintor grego Apeles, Vespucci menciona entre as obras em curso um retrato de Lisa del Giocondo. Contamos esta descoberta em Nove coisas que aprendemos sobre quadros famosos.

Um quadro que nunca foi entregue

Leonardo nunca entregou o retrato à família Giocondo. Levou-o consigo de Florença para Milão e, por fim, para França, para onde se mudou a convite do rei Francisco I, e continuou a retocá-lo durante anos. Depois da sua morte, em 1519, o quadro entrou na coleção real francesa. Com a Revolução, as coleções reais tornaram-se propriedade nacional: o Louvre abriu como museu público em 1793 e, no fim da década, a Mona Lisa já lá estava.

O que observar

O sorriso. Leonardo usou o sfumato, transições de tom tão suaves que os contornos se dissolvem, sobretudo nos cantos da boca e dos olhos. A investigação sugere que a nossa visão central e periférica leem essas transições de forma diferente: à medida que o olhar se move, a expressão parece passar de um sorriso a um rosto neutro.

A paisagem. Atrás da figura, uma paisagem imaginária de rochedos, estradas sinuosas e água. O horizonte à esquerda e à direita não está à mesma altura, o que cria um ligeiro desequilíbrio.

As mãos. Muitas vezes ignoradas, são uma obra-prima de modelado. Os estudos de anatomia de Leonardo dão-lhes peso e verdade.

A luz. Suave e difusa, sem fonte evidente, envolve a figura numa atmosfera dourada.

As sobrancelhas. Praticamente não se veem. Uma hipótese é que tenham sido pintadas de forma muito leve e se tenham perdido em limpezas antigas; outra liga a sua ausência à moda da época. A questão continua em aberto.

Sobre Leonardo da Vinci

Leonardo nasceu em 1452 em Vinci, na Toscana, filho ilegítimo de um notário e de uma camponesa. Formou-se no ateliê de Andrea del Verrocchio, em Florença. Pintor, engenheiro, anatomista, deixou milhares de páginas de cadernos e pouquíssimos quadros acabados, entre eles A Última Ceia, em Milão. Morreu em Amboise, em França, em 1519. O pintor Giorgio Vasari contou mais tarde que morreu nos braços do rei Francisco I – uma cena comovente, mas considerada lendária pela maioria dos historiadores.

No mesmo período, em Roma, o seu rival Miguel Ângelo pintava o teto da Capela Sistina, com A Criação de Adão.

Legado e influência

A fórmula do retrato – figura de meio corpo, ligeiramente voltada, diante de uma paisagem profunda – tornou-se um modelo para os retratistas europeus. Mas a fama moderna do quadro tem outra origem.

Em agosto de 1911, Vincenzo Peruggia, um italiano que tinha trabalhado no Louvre, escondeu o painel debaixo do casaco e saiu do museu. A busca e a descoberta do quadro, dois anos depois, em Florença, fizeram da Mona Lisa uma celebridade mundial. Em 1919, Marcel Duchamp desenhou-lhe bigode e pera numa reprodução; Andy Warhol repetiu-a em série.

Só viajou duas vezes. Em 1963, foi exposta nos Estados Unidos, na National Gallery of Art de Washington e no Metropolitan Museum de Nova Iorque, onde cerca de 1,6 milhões de pessoas fizeram fila para a ver. Em 1974, foi mostrada em Tóquio e em Moscovo. Desde então, não voltou a sair do Louvre.

Existe uma segunda Mona Lisa. O Museu do Prado, em Madrid, guarda uma versão durante muito tempo considerada uma cópia tardia. Restaurada em 2011-2012, revelou ter sido pintada ao lado do original, no ateliê de Leonardo, por um discípulo, acompanhando as correções do mestre. Falamos dela em Que versão está a ver?

A multidão diante do quadro faz hoje parte da experiência – e é também a razão pela qual tão pouca gente o vê realmente. Explicamos porquê em O que a arte faz ao cérebro.

Onde ver a obra hoje

A Mona Lisa está no Museu do Louvre, na Salle des États (sala 711), no primeiro andar da ala Denon, atrás de um vidro de proteção e a alguma distância do público.

  • Bilhetes: reserve em linha com horário marcado. Desde 14 de janeiro de 2026, o bilhete custa 22 euros para visitantes do Espaço Económico Europeu e 32 euros para os restantes. A entrada é gratuita para menores de 18 anos e, entre outros casos, para residentes do EEE com menos de 26 anos.
  • O Louvre encerra às terças-feiras. Chegue à abertura ou aproveite as aberturas noturnas; confirme os dias no site do museu.
  • Olhe também para a parede em frente: as enormes Bodas de Caná, de Veronese, que quase ninguém vê.
  • O que aí vem: no âmbito do plano «Louvre Nouvelle Renaissance», anunciado em 2025, a Mona Lisa deverá ter uma sala própria, com bilhete separado e horário marcado, mas não antes de 2031.
  • No mesmo museu: outras pinturas de Leonardo, como A Virgem dos Rochedos.

Perguntas frequentes

Quem é a mulher da Mona Lisa?

Lisa Gherardini, mulher do comerciante florentino Francesco del Giocondo. A identificação foi confirmada por uma nota de outubro de 1503, encontrada em Heidelberg em 2005.

A Mona Lisa já saiu do Louvre?

Sim, poucas vezes: foi roubada em 1911 e recuperada em 1913, e foi exposta nos Estados Unidos em 1963 e em Tóquio e Moscovo em 1974. Não voltou a viajar desde então.

Porque é que o sorriso parece mudar?

Por causa do sfumato: as transições de tom nos cantos da boca são lidas de forma diferente pela visão central e periférica, e a expressão parece alterar-se à medida que o olhar se move.

Existe outra Mona Lisa?

Sim, no Museu do Prado, em Madrid: uma versão pintada no ateliê de Leonardo, ao mesmo tempo que o original, por um discípulo.

Quanto custa o bilhete do Louvre?

Desde 14 de janeiro de 2026, 22 euros para visitantes do Espaço Económico Europeu e 32 euros para os restantes. O museu encerra às terças-feiras.

Leonardo pintou o retrato de uma mulher de Florença e nunca o entregou. Levou-o pela Itália e por França, retocando-o durante anos. Cinco séculos depois, o quadro mais famoso do mundo é também um dos menos verdadeiramente olhados – e talvez a melhor forma de o ver seja parar, esperar que a multidão passe e deixar que ela, durante alguns segundos, nos olhe de volta.

Imagem: Mona Lisa – Leonardo da Vinci, c. 1503-1517, Museu do Louvre, Paris. Licença: domínio público. Fonte: Wikimedia Commons.

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